Fato pouco conhecido, mas de extrema relevância, a ISO Global apresentou durante a COP29 o seu primeiro documento de ESG.

A ISO – International Organization for Standarization é uma das mais importantes organizações a trabalhar a melhoria e padronização do sistema da qualidade e gestão de empresas em todo o mundo. Suas normas abrangem ampla gama de assuntos e alguns deles já relacionados ao escopo de ESG. O desenvolvimento de padrões internacionais é feito por Comitês Técnicos ISO, onde cada membro interessado da confederação faz a sua representação junto com organizações governamentais e não-governamentais. Um processo sério, complexo e por isto mesmo muito respeitado.
O documento IWA 48 – International Workshop Agreement foi discutido em reuniões entre maio e novembro de 2024 por representantes de vários países e aprovado sob a coordenação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o British Standards Institution (BSI) e o Standards Council of Canada (SCC).
Este documento, como uma estrutura ESG, fornece princípios abrangentes, uma estrutura coerente e orientação para ESG, para que todas as partes interessadas possam ter certeza de que estão trabalhando dentro do mesmo conjunto de princípios. Essa estrutura ESG pretende ser flexível para que possa ser aplicável a organizações de todos os tamanhos e setores.
Muito importante dizer que o documento permite diferenças regionais e econômicas, incluindo flexibilidade para organizações em regiões em desenvolvimento e aquelas com recursos limitados. Por exemplo, a estrutura foi projetada para ser acessível a PMEs e organizações em países desenvolvidos e em desenvolvimento, sejam elas obrigadas a relatar ESG ou envolvidas em ESG de forma voluntária.
Segundo o IWA 48, “Uma estratégia e implementação ESG destinam-se a impulsionar a sustentabilidade corporativa. Seguir os princípios ESG deste documento pode agregar valor significativo a uma organização em termos de:
— levantamento de capital: ESG pode ser um critério de requisito/classificação;
— relações regulamentares: a rotulagem e a comercialização “verdes” já são ou estão em vias de ser regulamentadas e os requisitos de divulgação relacionados com o clima para muitas organizações são susceptíveis de aumentar;
— clientes: cada vez mais clientes podem comprar ou fazer boicotes com base em “valores” ESG;
— pessoal: atraído por organizações com uma cultura pró-ESG;
— acionistas: potenciais retornos melhorados, à prova de futuro, reduzindo o risco de reputação;
— utilização dos recursos: melhorar a circularidade dos recursos finitos;
— ações de atenuação das alterações climáticas e de adaptação às mesmas: promoção da transição climática e reforço da resiliência.
O objetivo deste documento é auxiliar o maior número possível de partes interessadas e ajudar organizações de todos os tipos e tamanhos a iniciar, aprofundar ou amadurecer sua jornada ESG de maneira clara, acessível e direta”.
A ABNT PR2030 ESG é o documento brasileiro publicado em 2022 e que teve papel influenciador no IWA 48. Portanto, para o Brasil, a aplicabilidade pode ser mais rápida e direta, com a visão de estágios de maturidade por critérios que o documento brasileiro traz.
Para empresas exportadoras, ambos documentos são estratégicos, já que as comprovações e evidências de boas práticas serão cada vez mais exigidas pelo mercado europeu e canadense. Para as multinacionais de origem europeia e com operação no Brasil, fica mais fácil a padronização e aplicação de políticas alinhadas.
Boas notícias correm um pouco mais devagar, mas acabam chegando…